Pode-se gostar ou não do Partido dos Trabalhadores (PT). Mas algo na agremiação é inegável: a capacidade de organização e de exercer o debate democrático internamente. Essa postura advém da forma como ele foi fundado, à partir de lutas e mobilizações sindicais que, na essência, são fóruns clássicos do diálogo e da decisão por maioria. Mas a escolha do candidato petista à prefeitura de Aracaju/SE em 2012 parece jogar por terra essa positiva tradição.
São três pré-candidatos: o próprio Silvio Santos, a deputada estadual Ana Lúcia e o deputado federal Rogério Carvalho. Mas quando cânones petistas, como líderes do partido e do governo na Assembleia, além do presidente da Câmara, abrem suas escolhas, no caso optando por Rogério, a sensação é de que arma-se uma ‘pressão pública’ em cima dos filiados. Algo do tipo: ‘esse é o mais forte porque conta com o apoio dos mais fortes’. Sinceramente: isso não combina com a história petista. E mesmo que o ‘já escolhido’ - por alguns - acabe vitorioso nas prévias, essa mudança pode gerar outra: os preteridos não se comprometerem com o embate nas urnas. Quebrar tradições é correr riscos...